Para muitos, o esporte é uma potente ferramenta de superação e inclusão social. Foi pensando nisso que a Saúde Esporte Sociedade Esportiva, instituição que desenvolve o rugby em cadeira de rodas, criou o projeto Gladiadores Curitiba Quad Rugby. A instituição foi fundada em 2007 atendendo outras modalidades, entre elas: o atletismo adaptado, tênis em cadeira de rodas, corrida de rua, cursos e palestras. “Começamos com o rugby em cadeira de rodas somente em 2011 – conhecemos a modalidade durante um evento internacional do esporte paralímpico na Unicamp, em Campinas”, comenta um dos fundadores da instituição, Carlos Kamarowski Jr.
A modalidade do rugby em cadeira de rodas se iniciou na década de 70, em Winnipeg, no Canadá, e foi desenvolvida para atletas tetraplégicos ou tetraequivalentes. Os jogadores são categorizados em sete classes a depender da habilidade funcional: 0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5; 3,0 e 3,5. As classes superiores são destinadas aos atletas que têm maiores níveis funcionais e as classes mais baixas são para jogadores de menor funcionalidade motora. O objetivo do jogo é marcar um gol (1 ponto) cruzando a linha do gol com a posse da bola, enquanto a equipe adversária está defendendo esse gol. A equipe com mais pontos ao final dos 4 tempos, de 8 minutos cada, vence.
Reabilitação através do esporte – O atleta Anderson Kaiss (foto) , mais conhecido como Tico, sofreu um assalto aos 19 anos, quando levou o tiro que causou a sua tetraplegia. O primeiro ano após o acidente foi marcado por idas e vindas ao psicólogo, para que Anderson pudesse recuperar sua confiança e refazer sua vida. Foi por meio de um amigo que Anderson conheceu o rugby. “Quando eu conheci o rugby foi amor à primeira vista, o esporte paralímpico foi com certeza um dos fatores primordiais pra minha reabilitação, hoje em dia eu não faço mais fisioterapia, e o esporte foi realmente o que me reabilitou e me deu saúde novamente”, destaca.

Anderson Kaiss, atleta de rugby em cadeira de rodas – equipe Gladiadores
Ainda segundo Anderson, o esporte não trouxe benefícios apenas à sua reabilitação, mas também ajudou para que o atleta fosse inserido na sociedade novamente. “Aquilo que eu achava que não era capaz de viver novamente quando eu fui podado ficando em uma cadeira de rodas, o esporte me levou a acreditar que eu poderia viver sim”. Anderson relatou ainda, que se não tivesse entrado novamente no esporte, poderia ter entrado em depressão, que é o caso de muitas pessoas que passam por esse tipo de trauma. “É bem difícil, ainda existe muito preconceito, a gente se adapta, é uma escolha, e eu escolhi viver”, finaliza.
Nossos agradecimentos aos incentivadores: Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba (SMELJ); Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS); Secretaria do Esporte do Paraná – Proesporte e Geração Olímpica e Paralímpica; Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP); Copel – Companhia Paranaense de Energia; Sociedade Morgenau e Convatec Brasil.